S. não sabia se era manhã ou se era noite. Ela não estava conseguindo dormir, aquela maldita insônia que persistia em segui-lá. Ela estava em uma luta constante contra a cama e os lençois. Tudo que ela queria era se desligar da realidade, ter enfim o repouso merecido. Nem as vozes crepusculares e imperceptíveis de alguns poetas conseguiam fazer com que ela entrasse em algo mais complexo do que o seu atual estado de semi-sono.
Seu cansaço físico e psicológico lapidava sua memória, mas ela ainda lembrava de algumas palavras soltas, de olhares sinceros que a confortavam e de risos escandalosos que faziam com que o tempo fosse algo muito relativo.
Seus devaneios, suas loucuras de ontem acabavam não fazendo sentido algum. De tanto lembrar, ela começou a ler e reler tudo que disse e que lhe tinham dito, de repente o medo que tanto sentia começou a ser algo tão patético.
Sozinha remexendo em algumas lembranças... S. só sentia receio que estivesse tão distante de tudo.
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