quarta-feira, 13 de maio de 2009

S. não sabia se era manhã ou se era noite. Ela não estava conseguindo dormir, aquela maldita insônia que persistia em segui-lá. Ela estava em uma luta constante contra a cama e os lençois. Tudo que ela queria era se desligar da realidade, ter enfim o repouso merecido. Nem as vozes crepusculares e imperceptíveis de alguns poetas conseguiam fazer com que ela entrasse em algo mais complexo do que o seu atual estado de semi-sono.
Seu cansaço físico e psicológico lapidava sua memória, mas ela ainda lembrava de algumas palavras soltas, de olhares sinceros que a confortavam e de risos escandalosos que faziam com que o tempo fosse algo muito relativo.
Seus devaneios, suas loucuras de ontem acabavam não fazendo sentido algum. De tanto lembrar, ela começou a ler e reler tudo que disse e que lhe tinham dito, de repente o medo que tanto sentia começou a ser algo tão patético.
Sozinha remexendo em algumas lembranças... S. só sentia receio que estivesse tão distante de tudo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Assustada, ela acordou no meio da madrugada, era uma noite fria. Era como se ainda estivesse sonhando. Ela estava ouvindo, mas não havia nenhum som. Ela estava tonta, seu estômago abrigando um tornado de borboletas na barriga. Seus olhos avistavam muito... muito além do que a aparente escuridão. Ela acende o abajur, só volta a colocar o copo no criado mudo quando o deixou sem uma gota se quer, e mesmo assim sua garganta continua seca. O silêncio a deixa perturbada, ela tenta ler... mas em vão. Seus olhos passam pelas palavras automaticamente, sem absorver nada, passando a serem, naquele momento, páginas secas e sem vida.
Ela enfrenta aquele corredor profundo e assustador, temendo até mesmo sua respiração ofegante. O ar entra em contanto com suas faces, pondo um pouco de cor onde não havia nenhuma. A brisa se espalhou e foi como se nada tivesse acontecido, exceto pelas borboletas que ainda persistiam e pelo gosto de rosas em sua boca.

texto original

domingo, 3 de maio de 2009

B. está pedindo abrigo, socorro, afago. Sua cabeça lateja o tempo todo. Ela está cansada, inquieta, irritada. Sente um misto de tortura e alívio quando se deita. Sua alma sente vontade de chorar, porém seus olhos estão secos. Ela não sabe para onde ir, nem para quem recorrer. O seu coração está pesado. Ela finalmente entendeu como é irrevogável a verdade sobre o mundo, que ela nunca mais vai poder ter aquela despreocupação infantil, não pode mais simplesmente voltar chorando para sua casa, esperando que sua mãe irá dizer 'vai ficar tudo bem'. Agora, seus sonhos foram esmagados, triturados. Sua esperança perdida. Todo o brilho do seu sorriso se foi. Um raio corta o céu. Sim! Seu amor se foi. B. tem medo de não aguentar que os olhos profundos dele penetrem nos seus. Tem medo de que perca sua razão. Tem medo de perder suas velhas opiniões. Ela olha para cima, para o avião de J. cortando o céu.

sábado, 2 de maio de 2009

I don't no know what to do with myself

Eu não aguento mais isso, sinceramente. Como querem que eu ajude? Se não posso simplesmente saber quem é. Estou me sentindo presa, como se eu não pudesse escapar disso (e não posso mesmo), eu sempre soube no fundo, que isso iria acabar acontecendo um dia, não teria hora, nem lugar, nem momento para começar, simplesmente iria surgir do nada. Não quero me afogar em teorias, terapias, deixar o medo me dominar. Quanto mais o tempo passa, mas eu vejo que isso vai acontecer cada vez mais forte e intensamente. Por que isso foi acontecer comigo? Eu não sou diferente, nem nada.
Eu só queria saber quem é... Por favor! Volte pra mim poder te ajudar. Por favor!

Provavelmente você não vai entender nada, e nem é pra entender mesmo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vivendo com a borracha.

Seria tão bom poder voltar ao passado... Eu não me importaria tanto somente comigo mesma, tentaria entender melhor as pessoas e não seria tão sincera a ponto de magoá-las. E aquela música que eu não dancei por vergonha? Simplesmente iria esquecer do mundo ao meu redor e pensar somente naquele instante. Iria parar de me importar tanto com... tudo! Com a vida, com as pessoas, com a escola. Iria viver cada segundo sem aquele medo e aquela insegurança que me impedem de agir. Enjoei de planejar cada segundo da minha rotina, iria viver sem cálculos, sem querer tomar conta de tudo, iria ser realmente feliz por coisas tão simples que aconteceram, mas que hoje é que vejo a importância que tiveram, não iria lamentar tanto por lugares e pessoas que eu nunca conheci. E os problemas? Deixaria pra depois, uma hora eles iriam se resolver.
E mesmo que eu não pudesse mudar nada, seria tão bom reviver um momento. Um momento que eu sempre quis ter de volta.